
No começo dos anos 1980, uma cidade da Serra Catarinense percebeu que não tinha praia, cachoeira famosa nem monumento capaz de atrair visitantes. Tinha frio, araucárias, muros de pedra e fazendas de gado com mais de dois séculos. Foi com esse inventário aparentemente modesto que Lages inventou um segmento inteiro do turismo brasileiro, hoje copiado de Minas Gerais ao Rio Grande do Sul.
O problema era prático. Grupos que saíam de São Paulo rumo a Gramado paravam na serra para almoçar e ver danças típicas, mas queriam ficar mais tempo e não havia onde dormir. A resposta veio das próprias porteiras: a Fazenda Pedras Brancas, construída em 1868 a 15 km do centro, começou a receber visitantes e virou o primeiro hotel-fazenda do país, conforme registra a Prefeitura de Lages.
Outras propriedades seguiram o mesmo caminho, entre elas a bicentenária Fazenda do Barreiro e o Boqueirão Hotel Fazenda, que abriu as porteiras no fim da década de 1980. O segmento completou quatro décadas e virou tema de um documentário produzido pela Secretaria Municipal de Turismo, que percorreu fazendas centenárias para registrar depoimentos dos pioneiros.
A Festa Nacional do Pinhão não acontece em um palco só, ela ocupa Lages de ponta a ponta. Segundo a Prefeitura de Lages, a 36ª edição ocupou 17 dias entre maio e junho de 2026, com programação distribuída pelo Parque de Exposições Conta Dinheiro, pelo Recanto do Pinhão Aracy Paim e pelo Mercado Público Municipal Osvaldo Uncini.
O evento nasceu em 1973, na Praça João Costa, e mantém até hoje a estrutura que mistura shows nacionais na Arena Pinhão com festivais de música nativista e apresentações tradicionalistas. A semente da araucária, assada na brasa ou servida em pratos de raiz campeira, dá nome e sabor a tudo. Só na edição de 2026 passaram pelo palco principal 19 atrações nacionais, de acordo com a Prefeitura de Lages.

Lages é o município mais extenso do estado, o que espalha os atrativos por dezenas de quilômetros de estrada, boa parte deles em campo aberto. De acordo com a Secretaria de Turismo de Lages, mais de 900 mil turistas passam pela cidade a cada ano. Confira abaixo o que costuma organizar o roteiro:
Quem quer descobrir a Serra Catarinense vai curtir este vídeo do canal Sincero SC, com mais de 189 mil visualizações, que explora Lages, sua cultura e paisagens da região.
A cidade fica a cerca de 900 metros de altitude, e isso muda tudo. Conforme a Prefeitura de Lages, a região registra geadas fortes e queda de neve, enquanto no verão as temperaturas variam de agradáveis a quentes. Veja abaixo como as estações se comportam na serra:
O acesso mais usado é pela BR-282, que liga Lages a Florianópolis em cerca de 220 km, com trajeto de aproximadamente três horas de carro. Quem vem do sul ou de São Paulo costuma chegar pela BR-116, rodovia que corta o planalto e dá acesso à estrada que leva à Coxilha Rica. A cidade tem aeroporto regional, mas a maioria dos visitantes desembarca na capital catarinense e segue por estrada.
Lages resolveu um problema econômico olhando para o que já tinha em volta, e o resultado virou modelo para o país inteiro. Campos abertos, muros de pedra empilhada, araucárias e um inverno que assusta o resto do Brasil formam um conjunto difícil de encontrar em outro lugar.
Você precisa subir a serra e conhecer Lages no auge do frio, quando a geada cobre os campos e o fogo de chão vira o melhor lugar da casa.
Fonte: Revista Oeste
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