

Presidente da ABIH-SC avalia que o setor hoteleiro pode ser mais o prejudicado com o fim da escala 6×1, pois depende essencialmente de mão de obra e opera sem interrupção. O possível fim da escala de trabalho 6×1 pode elevar em até 20% o valor das diárias de hotéis em Santa Catarina, segundo representantes do setor. A mudança, que prevê a adoção da jornada 5×2, é defendida por centrais sindicais e tem apoio popular, mas gera preocupação na hotelaria, que opera 24 horas por dia, inclusive em finais de semana e feriados.
De acordo com a presidente da ABIH-SC (Associação Brasileira da Indústria de Hotéis em Santa Catarina), Margot Rosenbrock Libório, a maior parte dos custos dos hotéis está concentrada na folha de pagamento.
“A hotelaria é um setor que emprega muitas pessoas. A maior parte do nosso custo realmente está nas pessoas que empregamos. E são empresas que não fecham, funcionam 24 horas por dia, 365 dias no ano. Por isso, sim, o impacto nosso setor pode ser muito maior do que em outros”, apontou.
Margot explica que, com a eventual mudança para a jornada 5×2, seriam necessárias novas contratações para manter o funcionamento das equipes. O setor destaca que a demanda é maior justamente nos períodos em que outros trabalhadores estão de folga.
“Nosso setor trabalha mais nos feriados e nos fins de semana. Para completar as escalas adequadamente, precisaríamos de novas contratações”, aponta a entidade.
Para custear essas novas contratações, Margot avalia que os hotéis devem repassar o preço para o consumidor, já que o setor depende essencialmente de mão de obra e opera sem interrupção. A estimativa é que o impacto chegue em até 20%.
Neste cenário, a presidente da ABIH-SC avalia que hotéis de padrão mais elevado tendem a absorver melhor o aumento, já que atendem um público com maior poder aquisitivo que já pagam por serviços mais caros.
Por outro lado, empresas familiares, com menor quadro de funcionários e diárias mais baratas, podem ter mais dificuldade em se adequar a escala 5×2.
Com isso, representantes da hotelaria estudam solicitar ao governo federal medidas de compensação tributária para reduzir o impacto financeiro da mudança.
A proposta é que eventuais desonerações ajudem a equilibrar o aumento da folha salarial, “para que esses aumentos não sejam tão bruscos, tão repentinos para a nossa atividade”, completa Margot.

O debate sobre o fim da escala 6×1 ganhou força nos últimos meses e se tornou uma das principais bandeiras do presidente Luiz Inácio Lula da Silva antes das eleições de outubro. O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), anunciou que o tema está entre as prioridades legislativas de 2026 e afirmou que a proposta pode ser votada em plenário já em maio.
Antes disso, o texto precisa passar pela CCJ (Comissão de Constituição e Justiça), responsável por avaliar a constitucionalidade da matéria, e por uma comissão especial, que analisará o mérito e poderá propor alterações.
No entanto, a oposição está resistente e pode pedir mais tempo para debater impactos econômicos antes de votar a proposta.
Fonte: ND+
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