

Separada da capital catarinense apenas por uma curta travessia, está São José, cidade que nasceu com a chegada de 182 casais vindos dos Açores, a pedido da Coroa Portuguesa para povoar e garantir o domínio do sul da colônia brasileira em 1750. Desembarcando em terras firmes após semanas de agruras no Atlântico, esses imigrantes deixaram suas marcas presentes ainda hoje e que podem ser vistos no sotaque cadenciado, na devoção religiosa, nas técnicas de pesca, nas cerâmicas de barro e na gastronomia típica açoriana. Caminhar por São José é revisitar esse passado colonial sem precisar abrir mão da infraestrutura de uma metrópole moderna. Localizada logo ao lado de Florianópolis, a cidade guarda uma identidade própria com seus casarões coloridos de arquitetura luso-brasileira e um dos legados culturais mais ricos do litoral brasileiro.
O Centro Histórico pode ser o ponto de partida pela exploração desse que é um dos municípios mais populosos do estado catarinense. Interessante, é que ele foi organizado em traçados geométricos planejados para receber os colonos. Neste quadrilátero em torno da Praça Hercílio Luz estão abrigadas relíquias arquitetônicas que merecem a atenção dos visitantes.
É o caso da Igreja Matriz de São José, que foi erguida originalmente em meados do século XVIII e reconstruída em 1848 com paredes de pedra e cal, a matriz ostenta traços clássicos da época e foi honrada com a visita do Imperador D. Pedro II em 1845.
Também vale conhecer o Theatro Adolpho Mello, que foi inaugurado em 1897, e é considerado um dos mais antigos de Santa Catarina, e está totalmente restaurado. Outro ponto importante é o Museu Histórico (Sobrado Ferreira de Mello), exemplar autêntico do colonial rústico português construído por volta de 1772. Seu acervo possui mais de 3 mil peças que reconta o cotidiano político, militar e doméstico dos tropeiros e açorianos.
O ápice é a Escola de Oleiros Joaquim Antônio de Medeiros, a única no Brasil a manter viva a tradição da olaria artesanal açoriana. Nela, mestres oleiros moldam panelas, moringas e figuras folclóricas em barro, preservando um patrimônio imaterial ameaçado pela industrialização.

Para os entusiastas do ecoturismo, o Parque Ambiental dos Sabiás (Horto Florestal) conta com trilhas ecológicas em meio a trechos preservados de Mata Atlântica, abrigando um viveiro com dezenas de milhares de mudas nativas.
Já os mais aventureiros podem encarar a Trilha do Morro da Pedra Branca, que têm quase 500 metros de altitude. A vista do topo recompensa o esforço com um panorama espetacular que se estende por toda a região metropolitana.
A herança dos fundadores oriundos das Ilhas do Pico, Terceira, São Jorge, Faial, Graciosa também se encontra nos pratos e no artesanato conectados à identidade local.
A típica comida açoriana está amplamente disponível para o turista, especialmente nos bairros tradicionais de pescadores como a Ponta de Baixo. Ali, à beira da água e ladeado por barcos coloridos ancorados na areia, o visitante encontra restaurantes especializados em sequências de camarão, peixes frescos grelhados acompanhados por pirão de farinha artesanal, além de ostras cultivadas na região e caldeiradas fartas.
Depois de provar os sabores açorianos, vale a pena mergulhar nas compras, especialmente das cerâmicas, que vão desde panelas capazes de ir direto ao fogão a lenha até miniaturas e bonecos que retratam o folclore açoriano.
Além disso, o visitante ainda encontra a Renda de Bilro, uma herança direta das rendeiras dos Açores. O trançado delicado de bilros sobre a almofada ainda sobrevive nas mãos de artesãs locais, gerando toalhas, golas e panos de rara beleza artística.
Fonte: Revista Forum ,
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